quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Entrevista de 2014 com Túlio Adriano


A força do saudosismo me colocou na frente do computador agora para escrever esse post. Tenho no meu e-mail uma entrevista feita em 2014 com um dos mais conhecidos nomes do desenvolvimento de jogos do Brasil, e o pior é que isso não é exagero, Túlio Adriano Gonçalves é um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento de Pier Solar, um dos melhores e mais conhecidos jogos indie para o Mega Drive.

Acontece que em 2014 eu estava mergulhado em notícias do mundo dos jogos, e a versão HD do Pier Solar estava prestes a ser lançada. Naquele período eu escrevia para a GamesMAX, isso e o fato de eu ser um investidor do Projeto Y (Paprium) me deu coragem para entrar em contato por meio de um ticket de suporte no site da Watermelon e pedir para gravar uma entrevista, pedido esse que foi negado, e gentilmente oferecida a opção de fazer as perguntas por texto, era um jeito rápido de me dar atenção, é certeza que atrapalharia demais a equipe se eu simplesmente tirasse o Túlio do foco das tarefas pouco antes do lançamento.

As perguntas que eu fiz junto com uma outra colega da GamesMAX na época é o que eu estou deixando logo abaixo, já que o blog onde ela estava foi removido do ar.


GamesMAX: Há 10 anos atrás foi iniciado o desenvolvimento do Pier Solar, o que motivou a equipe a iniciar esse projeto?  
Túlio Adriano: A maior motivação do grupo inicial do projeto original do Pier Solar veio da própria equipe de desenvolvimento. Todos os membros se conheceram em um fórum de fãs do Mega Drive e compartilhavam a mesma paixão por RPGs. Quando percebemos que a nossa idéia já tinha começado a tomar a proporção de um projeto com grande potencial de concretização, colocamos todas as nossas energias nisso.

GM: O projeto inicial demorou quase seis anos para ser concluído, em algum momento a equipe pensou em desistir?
TA:Não, nunca pensamos em desistir. Conseguir conciliar as agendas de todos os membros era uma tarefa muito complicada, primeiro porque todos nós entramos nele voluntariamente, ou seja, ninguém tinha condições de abandonar o emprego e se dedicar integralmente ao desenvolvimento do jogo. Além disso, o grupo sempre esteve espalhado aos quatro cantos do mundo. Os fusos nem sempre cooperavam com a nossa necessidade de comunicação, o que atrasou muito as decisões necessárias durante todo o processo. Mas com o tempo nós fomos conhecendo o potencial de cada integrante do grupo, e tendo mais certeza de que nosso sonho tinha grandes chances de se realizer, portanto não
desistimos. Houveram inúmeras mudanças no desenvolvimento do jogo no decorrer daqueles longos seis anos, mas em momento algum pensamos em abandoná-lo. Acredito que grande parte, ou todos, que participaram da produção do jogo eram gamers na infância.


GM:Durante o processo de criação aconteceram alguns momentos nostalgia onde todo mundo relembrou de jogo que adorava?
TA:Completamente! Este, na verdade, foi um dos fatores chave durante o desenvolvimento todo! Nós gostamos de descrever o Pier Solar como um “tributo” aos RPGs dos anos 90, que marcaram a nossa infância. Não somente nas nossas conversas a respeito dos RPGs que nós jogávamos quando crianças, mas também fizemos questão de incluir ao Pier Solar elementos inspirados nestes RPGs, para que também outros jogadores pudessem compartilhar desse espírito nostálgico quando estivessem jogando
o Pier Solar.

GM: Inicialmente a história do jogo era baseada nos membros da comunidade onde o jogo nasceu “The Tavern”. De onde vieram os atuais personagens e o enredo do jogo?
TA: Na verdade quando a história foi re-estruturada, foram criados personagens novos e completamente fictícios. Embora exista uma inspiração em termos de quais papéis cada personagens fazem baseadas em alguns clichés de RPG, mas a história em si, quando foi concebida, foi intencionalmente espelhada em clichés dos antigos RPGs.

GM: Como o cartucho e o CD se complementam no Mega Drive?
TA: A trilha sonora do jogo é muito elaborada, criativa e agradável, na verdade ela é um dos elementos mais elogiados no Pier Solar. Por conta disso nós criamos o OST (Original Sound Track), que é uma coleção com 4 CDs que podem ser usados no Sega CD para melhorar ainda mais a experiência do jogador com o audio oferecido. Ambos podem ser utilizados juntos ou não. Os fãs do Pier Solar podem escutar o OST em qualquer aparelho de som até quando não estiver jogando!

GM: Diferente da versão de Mega Drive, o Pier Solar HD teve um financiamento obtido via Kickstarter. Estar tão próximo dos seus financiadores, que logo serão o público, acarreta mais responsabilidades ?
TA: De certa forma. A verdade é que a responsabilidade maior está na comunicação com nossos backers (investidores no Kickstarter). Nós tomamos a responsabilidade de lançar um jogo de alta qualidade para todos os nossos clientes, a começar pelos backers. Porém, é uma responsabilidade geral, não somente por causa do Kickstarter. Nossa relação com os backers é mais delicada porque nós temos que lidar com uma comunidade de mais de 3.000 pessoas que aguardam ansiosamente pelo lançamento do PSHD. A grande maiora dos backers tem sido extremamente compreensiva, nos dando apoio para que o jogo saia
o mais polido possível. Nós somos muito gratos a todos os que nos apoiaram através do Kickstarter e tornaram o projeto PSHD uma realidade.

GM: Afinal, em quais consoles vamos ver o Pier Solar HD? Algum portátil na lista?
TA: O Pier Solar HD estará disponível nas seguintes plataformas: Sega Dreamcast, PS3, PS4, Wii U, Xbox One, PC, Linux, MAC, OUYA e Android.

GM: É complicado portar o jogo para as mais diversas plataformas? Que obstáculos a equipe enfrentou?

TA: A parte complicada é a de familiarizar com os consoles pela primeira vez, então há um processo, uma curva de aprendizado em relação a como o console se comporta, etc. Este seria o maior obstáculo. A parte mais complicada é a preparação para a certificação de cada console, que muda de Sistema para sistema, porque a engine do jogo é a mesma para todos os consoles, mas a burocracia é um pouco diferente.

GM: A nova versão em HD traz algo diferente daquela lançada para o Mega Drive?
TA: Sim! A versão HD trás cerca de 10 horas a mais de conteúdo, incluindo partes do enredo que foram desenvolvidas e reveladas, novas batalhas, novos side quests, e uma opção a mais para o final do jogo que está imperdível!

GM: Foi difícil lidar com grandes empresas como a Microsoft, Nintendo, e a Sony na questão de licenciamento? E a versão de Dreamcast pôde ser licenciada pela Sega?
TA: Esta é uma pergunta bem ampla, e se nós fossemos explicar todos os casos – que são muito diferentes uns dos outros – poderíamos quem sabe escrever um livro! (risos). Em suma, podemos dizer que ficamos surpresos com a resposta de todas estas corporações. A Nintendo tem sido espetacular desde o primeiro dia de contato, nos abriu inúmeras portas (como os convites para grandes eventos de game, como a E3 e a IndieCade), sempre com muita flexibilidade e facilidade na comunicação, nas negociações, enfim, tem sido um processo extremamente claro, o que nos poupou de muitos aborrecimentos
burocráticos. A Sony e a Sega também facilitaram o processo de licenciamento, portanto não houve nenhum obstáculo maior. Já a Microsoft nos deu um pouco de canceira (risos). Foi, de todas as empresas, a mais “inalcançável” em termos de comunicação. Isso foi também surpreendente, mas tudo foi resolvido e a negociação segue fluindo no momento.

GM: Depois de ser adiado algumas vezes, os jogadores certamente esperam por um jogo que não seja só satisfatório. Na sua opinião, o Pier Solar que está por vir vai compensar os mais de 6 meses de atraso?
TA: Sim, absolutamente! O jogo está sencacional! Nós estamos trabalhando nos beta tests e estamos muito felizes e orgulhosos do PSHD. Estamos consertando bugs e integrando muitas melhorias aos gráficos, mas estamos muito satisfeitos com a maneira que o jogo foi conduzido até aqui. Nós esperamos, de coração, que o atraso e a ansiedade sejam recompensados com a qualidade e particularidade do PSHD!

GM: Como será feita a distribuição do jogo? Alguma plataforma além do Dreamcast contará com mídia física?
TA: O jogo será distribuído através do eShop da Nintendo, PSN da Sony, STEAM e Xbox Live. Além do Dreamcast, o jogo também terá uma versão física para PC.

GM: Em fóruns e blogs, há muitos comentários de jogadores comparando Pier Solar a jogos consagrados como Chrono Trigger, Lunar e Phantasy Star. Como a equipe vê esse tipo de análise?
TA: Como mencionei anteriormente, o Pier Solar foi criado como um tributo à estes grandes RPGs da década de 90, então é uma comparação que pode ser justa, se feita do princípio de que o nosso jogo segue uma linha de RPGs que já existia, com características e mecânicas que fazem parte de um mesmo grupo. O Pier Solar é um jogo 100% original, enredo, programação, gráficos, até os cartuchos e as embalagens, tudo foi feito de uma maneira genuína, pensada, planejada, mas que remetem aos clássicos de RPGs da
década de 90.

GM: O Pier Solar mostra que nem só de gráficos realistas vive um jogo. Em sua visão, a preocupação exagerada com gráficos deturpou a finalidade dos jogos atuais que são mais ‘belos’ do que ‘funcionais’ ?
TA: Honestamente, acredito que isso depende muito de pessoa para pessoa. Se o Mercado se expandiu, isso significa que existe espaço para todos os gostos e todas as finalidades. Algumas pessoas são atraídas pela qualidade gráfica realística do jogo “X”, outras pela simplicidade viciante do jogo “Y”, outras pela funcionalidade do jogo “Z”. Nós devemos ter em mente de que a gama de jogadores de hoje é bem diferente da de duas décadas atrás. Em termos de idade, gostos, e até mesmo culturalmente, tudo mudou muito. Se a Nintendo conseguiu reinventar com o Wii o “ato de jogar video game”, fazendo com
que as pessoas se movimentem enquanto jogam, podemos esperar qualquer coisa, não é verdade? A evolução dos gráficos é um acontecimento muito legal e necessário. Dessa forma, o próprio Pier Solar revela um potencial incrível, inovando com o velho e o novo. Parece loucura, e talvez seja, mas definitivamente tem dado certo.

GM: Como gamer, você acha que a primeira tiragem (limitada) do jogo, é um item essencial para um colecionador?
TA: Sim, eu acredito que sim. Um RPG inédito para o Mega Drive depois de duas décadas é algo tão inacreditável que a primeira tiragem pode sim ser considerada um ítem essencial para um colecionador. É quase surreal…

GM: Para finalizar, certamente o trabalho não acaba com o lançamento do PSHD, quais são os planos para o futuro?
TA: Nós estamos prestes a lançar mais dois jogos retro, um para o Mega Drive e outro para o Super Nintendo, são temporariamente conhecidos como Projeto Y e Projeto N, respectivamente (os nomes oficiais ainda não foram anunciados). Além destes dois super projetos, nós temos mais outros dois que estão sendo guardados sob sigilo, mas serão duas surpresas inacreditáveis aos jogadores.

  

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Xenonauts gratuito no GOG


Um novo jogo velho está gratuito por tempo limitado na GOG. A Good Old Games vez ou outra libera um jogo para ser resgatado gratuitamente pelos usuários, e só pra lembrar, esse site é conhecido por comercializar os jogos sem o uso de DRM, o que descarta a necessidade de logar com a sua conta toda vez que for jogar.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Novo Jogo de Corrida do Sonic Anunciado


 

Ontem a Sega anunciou o próximo sipn-off do seu mascote, o Tem Sonic Racing. Essa série de corrida não costuma decepcionar nenhum jogador, pois sempre trás excelentes mecânicas em um jogo muito divertido.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

O Primeiro Jogo Eletrônico


Os jogos eletrônicos são hoje um mercado fora de série. Em 2015 os rendimentos do mercado de games ultrapassou os números do cinema, e mesmo durante os anos de recessão econômica os ganhos com as vendas continuaram a crescer, mas como isso começou afinal? É isso que vou explicar ao falar um pouco do primeiro jogo do qual se tem notícia.

quinta-feira, 29 de março de 2018

Paprium dá um Novo Sinal de Vida

O Paprium é aquele que promete ser o segundo grande jogo da Watermelon, responsável pelo aclamado Pier Solar. Acontece que o jogo tem sofrido atrasos no seu lançamento, e o pior é que a empresa se coloca em silêncio nesses períodos, o que deixa os fãs fortemente apreensivos, mas isso finalmente mudou.

sexta-feira, 23 de março de 2018

Ryzen Completa um Ano

A linha de processadores Ryzen é aclamada por trazer a AMD de volta ao mescado de desktops de alta performance. Não me entenda errado, mas a pouco mais de um ano havia uma certa faixa de performance que a AMD não alcançava, apesar de muitas vezes ser uma excelente opção para o usuário médio que buscava um bom custo x benefício.

Essa linha de processadores que ficou cerca de 4 anos em desenvolvimento finalmente alcançou seu primeiro ano de vida, e há belos motivos para se orgulhar disso. Seu lançamento é apontado como o principal responsável na queda de preço dos processadores Intel, pelo simples fato de ser um concorrente à altura da família Core, suas vendas já são responsáveis por cerca de 50% da receita da AMD, além de ter um suporte a Linux que vem melhorando continuamente.

Para resumir, Parabéns Ryzen.

sexta-feira, 16 de março de 2018

Sonic Mania ganhará versão física


Uma das maiores frustrações dos fãs da Sega foi a ausência  de uma versão física do mais bem avaliado jogo de seu mascote nos últimos 15 anos, o Sonic Maina. Mas agora esse problema vai acabar, pois foi anunciado Sonic Mania Plus, uma nova edição do jogo que trará algumas novidades interessantes.